sábado, 7 de fevereiro de 2009

8 regras (sem sentido) seguidas por todos os filmes de quadrinhos

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Hollywood é uma terra de dinheiro e covardia. Todo grande filme é uma aposta de 150 milhões de dólares, então tendem a seguir uma fórmula de sucesso para garantir segurança. Isso está mais do que evidente. Nos filmes baseados em HQ’s, é sempre seguida a maioria, se não todas, das oito regras a seguir.

8. O primeiro filme requer uma história de origem tediosa


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Por alguma razão desconhecida, a tradição estabelece que o primeiro filme deve consistir em algo que ninguém pagou para ver: o super-herói como ele vivia antes de poder fazer as coisas legais de super-herói.
Outros gêneros não têm essa necessidade; Duro de Matar não gastou metade do filme com John McClane praticando pontaria, Rambo não mostrou o Rambo em treinamento básico por uma hora. Por que não podemos ir logo ao que interessa? Ao invés disso temos que assistir Peter Parker dando duro como fotógrafo, e Bruce Banner trabalhando quietinho como cientista, como se tivéssemos que primeiro apreciar o tédio de suas vidas normais antes de vê-los pulando de um prédio que explode.
origin3 E para duplicar o problema, normalmente ainda entram na história de origem de um ou mais vilões, também. Veja! Aqui está um super-vilão bonzão quando ele era apenas um cara descontente de jaleco.
Frequentemente, para poupar tempo, juntam essas duas histórias de origem, colocando o vilão principal para matar os pais do herói (independente disso ter acontecido ou não na HQ), simultaneamente iniciando suas respectivas carreiras no heroísmo e na vilania. Um jovem Coringa mata os pais do Bruce Wayne, os do Robin morrem fazem trapezismo, o Rei do Crime mata os pais do Demolidor.
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E também…
Em Homem-Aranha 3, a história de origem anterior é modificada para que o atual vilão (o Homem de Areia, Marko Cain) seja o assassino do Tio Ben, uma idéia inteiramente baseada na premissa de que nenhum dos fãs tem um DVD do primeiro filme.

7. As sequências devem apresentar múltiplos vilões

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Para o primeiro filme, a franquia sempre reserva o vilão mais promissor da galeria de desonestos. Eles não têm escolha, milhões estão em jogo, e se um vilão menor for usado, pode ser que nem sequencias tenham. Infelizmente, isso significa que teremos um decrescente grau de vilões pelo resto da série.
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Deixe-me introduzir a Regra dos Múltiplos Vilões B: Considerando que o melhor vilão foi usado no primeiro filme, todas as sequencias deverão usar no mínimo dois vilões menos populares. Quantidade para compensar qualidade.
O Batman de Michael Keaton lutou contra o Coringa primeiro, e então se viu combatendo simultâneamente Pinguim e o milionário Max Sherck. Super-Homem lutou com Lex Luthor no primeiro filme, e no segundo esteve contra Lex e mais três super vilões.
Às vezes não cumprem essa regra, tentando trazer de volta o primeiro vilão, independente dele ter morrido ou não no primeiro filme. Filmarão flashbacks se necessário. Lex Luthor, Magneto, Dr. Destino e o Duende Verde apareceram em quase todos os filmes de suas respectivas franquias - dois deles voltando dos mortos, provando que nada é impossível num mundo em que tanto dinheiro está em jogo.
E também…
Curiosamente (ou desconcertantemente, dependendo do ponto de vista) os vilões muitas vezes aparecem em um padrão previsível: o Crânio, o Corpo e o Atrapalhado.
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O Crânio é o planejador e quase sempre cria o principal conflito que o herói deve resolver. Contudo, uma vez que o plano é geralmente muito simplista e leva uns dois segundos na tela para ser explicado, o Crânio passa a maior parte do tempo abusando verbalmente, ou até mesmo fisicamente, o Atrapalhado.
O Corpo costuma estar lá para expor desunião, vestir roupas de couro apertadas e mostrar nudez parcial. Algumas pesquisas de mercado sugerem que é um recurso para os fãs de quadrinhos.
O Atrapalhado começou como apenas isso, um personagem que anda por aí, normalmente arruinando até a mais simples das tarefas. No entanto, esse papel evoluiu para um mudo ou retardado com enorme força física, mas meio no caminho do Cérebro. Porém, eles ainda são alvo de piadas e abuso por parte dos outros personagens. Além disso, fornecem muito do alívio cômico do filme, que pode ou não ser horrível.
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Ninguém sabe por que essa fórmula tem sido usada tantas vezes. Talvez seja algum tipo de ímpeto primitivo na humanidade em que três faces representam as três eras do homem.  Talvez haja algum profundo conforto psicológico em triângulos ou grupos de três. Talvez seja uma representação subconsciente da Santíssima Trindade ou uma imagem subliminar da Pirâmide Maçônica. Ou, talvez os executivos de Hollywood pensem que somos completos imbecis.

6. Na parte 2, o herói deve revelar sua identidade a alguém

Olha, Hollywood, toda a coisa da “identidade secreta” existe por uma razão. Nos quadrinhos, a identidade secreta dos heróis é a única forma de prevenir que seus inimigos enviem bandos de capangas atrás deles e de suas famílias e amigos.
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Ainda assim, nas adaptações cinematográficas, identidades secretas são frequentemente a primeira perda. Elas normalmente são reveladas no segundo filme da franquia, a uma namorada, alguém da família ou até mesmo ao vilão. Por exemplo, em Superman 2, um Super-Homem desesperado para pegar a Margot Kidder revela sua identidade, submetendo-se a radiação para se livrar de seus poderes, com possibilidade de danos genéticos permanentes, anda do Pólo Norte até o Alaska, e ainda apanha pra cacete no caminho. Espero que ela tenha valido a pena, cara.
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Michael Keaton, também querendo pegar alguém, revela sua identidade secreta em Batman – O Retorno para sua namorada e para o Pinguim, também revelando um fato sobre Batman até então desconhecido: sua máscara é feita de Fruit Roll-Ups.
reveal3 Embora nenhum deles possa chegar perto de tocar Peter Parker em Homem-Aranha 2, ele revela sua identidade para:
a) Harry Osbourne
b) Mary Jane Watson
c) Dr. Octopus
d) Um metrô cheio de passageiros

5. A parte 3 deve retratar uma versão maligna do herói

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Hollywood odeia escoteiros, então quase todos os heróis devem se tornar maus, ao menos temporariamente. Quase sempre, essa mudança ocorre no terceiro filme da série. Normalmente, o herói tem que, de alguma forma, combater sua versão do mal, demonstrando com o simbolismo mais tosco do mundo que o verdadeiro vilão está dentro de nós. Sacou?!
A maioria de nós ainda tem tido pesadelos com Homem-Aranha 3, onde Peter Parker, sob o controle da roupa alien, de um nerd pacífico transforma-se em um emo irritante e sem noção. O alien do mal, então, junta-se a Eddie Brock para se tornar Venom, a versão maligna do Homem-Aranha, e eles lutam até a morte.
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Apenas levemente menos ridículo foi Superman 3. Incapaz de descobrir o “ingrediente secreto” para kryptonita, Gus Gorman o substitui por alcatrão de cigarro na fórmula, o que faz com que o Super-Homem se torne uma máquina de sexo movida a álcool. Isso então causa a divisão entre um Bom e um Mau Super-Homem, os quais, adivinhe… lutam um contra o outro até a morte.
E também…
Encontram outra maneira de lidar com isso em X-Men 2. Tendo um grupo de heróis, puderam misturar um pouco, fazendo com que alguns dos heróis se transformassem uns nos outros. Deste modo, Fênix deve combater um Ciclope com lavagem cerebral, um Professor X com lavagem cerebral quase mata todo mundo, um Noturno com lavagem cerebral quase mata o Presidente, e Wolverine deve lutar contra uma Lady Letal com lavagem cerebral.
Outra variação ocorre em Batman & Robin, em que Batman e Robin, com suas mentes aparentemente manipuladas por Hera Venenosa, discutem. 

4. O herói deve perder seus poderes em algum momento

Ah, brilhante Hollywood! Para tornar o trabalho árduo do herói mais dramático, o super-herói deve perder seus poderes. É a única maneira encontrada pelos roteiristas para espremer drama da história, considerando que a premissa é que o personagem principal é praticamente invencível e não há drama algum nisso. Ainda assim, por alguma razão, isso sempre é tratado da forma mais desajeitada possível.
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O Super-Homem, é claro, tem a coisa da kryptonita, mas parece que não sabem determinar direito o que a kryptonita faz com ele. Teoricamente, ele deveria ainda ter todos os seus poderes, mas tornar-se ineficiente em usá-los. Como no primeiro filme, em que a pedra faz com que Christopher Reeve não consiga nadar direito, mas ele ainda é indestrutível (ou então Lex teria o matado com um tiro) e hábil a usar sua super-sexualidade para seduzir um dos vilões a ajudá-lo. No entanto, em Superman - O Retorno, a kryptonita tira seus poderes de invulnerabilidade, permitindo que Luthor o fira.
A franquia Batman lida com isso de forma um pouco diferente, já que o Batman é essencialmente uma pessoa normal com desejo de vingança e obsessão por gadgets. Fora a super-conta-bancária. Mas então, invariavelmente, devemos vê-lo encarando o vilão enquanto está sem sua fantasia. No primeiro filme, Michael Keaton é baleado pelo Coringa em sua sala de estar. Em Batman Begins, o herói leva uma surra vestindo um smoking na Mansão Wayne, e precisa ser deprimentemente resgatado por seu mordomo.
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Talvez o maior dos maiores mistérios de perdas de poderes esteja em Homem-Aranha 2, em que os poderes do herói começam a diminuir aparentemente do nada, e ainda convenientemente quando Mary Jane é sequestrada pelo Dr. Octopus.
Ainda pior, temos a sequencia de O Quarteto Fantástico, onde o elenco todo tem seus poderes trocados pelo Susfista Prateado, de alguma forma, em uma série de eventos muito sem sentido para ser relembrada aqui.
E também…
Essa regra tem ainda mais um detalhe: enquanto sem poderes, o herói normalmente deve realizar um ato heróico. Clark defende a honra de Lois do intimidante Alaskan Diner, e se entrega de mão beijada para ele. Peter resgata uma garotinha asiática de um prédio em chamas.
Aparentemente, isso é Hollywood tentando nos distrair do fato de que prezamos esses super-heróis por terem poderes que obtiveram totalmente por acidente.

3. Os vilões devem invadir o esconderijo secreto do herói

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A anteriormente mencionada invasão e queimada da Mansão Wayne esbarra em outra regra, que diz que em algum momento, normalmente numa sequencia, os vilões devem invadir o esconderijo do herói.
Essa aqui não se limita aos filmes de super-heróis, é uma regra de Hollywood em que, se o herói começa o filme com algum tipo de fortaleza impenetrável, mais tarde ela virará bagunça na mão de um bando de bad guys (assista Eu Sou a Lenda para um exemplo não cômico). Como a regra anterior, essa também facilita o drama e o senso de perigo para o público. Infelizmente, isso também chama a atenção para o quão superficiais são essas camadas.
A Fortaleza da Solidão do Super-Homem é invadida duas vezes em cinco filmes (ambas por Lex Luthor). Com a Batcaverna é a mesma coisa, bombardeada pelo Charada e Duas Caras em Batman Para Sempre, e queimada por Ras Al Ghoul, como já foi mencionado. O apartamento do Homem-Aranha é atacado duas vezes em três filmes, uma por Norman Osborn e outra pelo alien. A Escola Xavier para Jovens Superdotados também é atacada duas vezes, uma pelo exército americano e outra pela Fênix Negra em X-Men 3.
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Essa regra tem a seguinte variação: Se o super-herói está tendo dificuldades, deixar a mocinha “invadir” seu quartel-general sempre dá um jeito (vide Superman 2, Batman e Quarteto Fantástico 1 e 2).

2. Um vilão deve se redimir

Todo mundo adora ver uma boa história de redenção, então uma maneira fácil de atrair a emoção do público é com um vilão que de repente tem uma mudança de coração. Acreditamos que esse método de contar histórias foi inventado pelo mundo da luta-livre profissional.
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Temos então Eve Teschmacher ajudando o Super-Homem no primeiro longa, Mística se tornando uma informante do governo em X-Men 3 e Dr Octopus sacrificando sua vida em Homem-Aranha 2. Mas um filme em particular levou essa regra aos extremos: Homem-Aranha 3.
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Primeiro você tem Harry Osborn. No primeiro filme ele é um personagem lamentável, ignorado pelo pai e gradativamente perdendo sua namorada. Na parte dois, ele é um bêbado, um tolo e um maníaco vingativo. Já no terceiro filme, o cara ganha redenção ao salvar o Homem-Aranha, sacrificando sua vida no processo. Mas acima de todos você tem o Homem de Areia, que passa por uma similar série de passos, mas exclusivamente no terceiro longa.
E também…
Há cerca de 40% de chance que a “redenção” se revele parte do plano secreto do vilão. Tínhamos Lex Luthor fingindo ajudar o Super-Homem no filme 2, Magneto e Mística temporariamente ajudando os X-Men na segunda parte, até que se aproveitam da situação em seus próprios benefícios. Isso, então, satisfaz a outra necessidade emocional do público, que é acreditar que as pessoas más são más e nunca deveríamos confiar que eles poderiam ser diferentes.

1. O terceiro filme reinicia a franquia

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É raro uma franquia que faça mesmo quatro filmes, então talvez apenas por fazer isso haja uma medalha de honra. Ou não. O problema é que cada filme em uma franquia de super-herói tem que sempre cobrir o anterior, e quando o quarto é alcançado, é muito difícil desviar-se do ridículo.
Consequentemente, usando a lógica de Hollywood, se o primeiro filme se tornar impopular e rejeitado, a única maneira de reparar o dano é recomeçar tudo do zero, ignorando filmes anteriores.
Por exemplo, Superman 4 teve a audácia de provar que todos as críticas estavam erradas ao dizer que nenhum filme de super-herói poderia ser pior do que Superman 3. Foi tão ruim que os estúdios deixaram de lado o elenco por quase duas décadas. Então Superman - O Retorno precisou adquirir um novo elenco, já que Cristopher Reeve sofreu aquele terrível acidente e morreu, e Margot Kidder foi considerada louca, provavelmente por conta do horror de trabalhar em Superman 4. Deste modo, nenhum ator dos quatro longas originais apareceu no quinto, exceto Marlon Brando, que foi trazido de volta dos mortos especialmente para esse longa.
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É claro que Superman 4 não segurou o título de pior filme de super-herói da história por muito tempo, já que o quarto Batman (Batman & Robin) veio com tudo para tomá-lo, com os produtores tentando encher o filme de tantos vilões, fantasias e sets, que a coisa virou uma bagunça apavorante. Assim, quando chegou a hora do quinto filme reiniciar, a decisão foi de fingir que os quatro filmes anteriores nunca aconteceram, jamais.
Acho que o que estamos tentando dizer é que se fizerem Blade 4, corra para as montanhas. E aí volte alguns anos mais tarde para o reboot.
E também…
A reinicialização do quinto filme não se aplica apenas aos filmes de super-herói, embora talvez devesse. A franquia  Rocky foi ficando cada vez mais enfatuada ao longo dos quatro filmes, culminando com Rocky, um lutador de box retardado, pondo fim a Guerra Fria. Stallone tentou fazer um reboot “de volta as suas raízes corajosas” (duas vezes), mas os resultados foram menores do que Batman Begins. E caso você tenha pensado que não há volta do quarto Karatê Kid estrelando Hillary Swank, prepare-se para um novo Karatê Kid dirigido por Will Smith e estrelando seu filho Jaden. Sério.
Se o padrão se manter, devemos estar preparados para reboots das franquias Duro de Matar e Alien a qualquer momento. Não nos desaponte, pessoal.

 Todos os créditos para: GiiBlog

Um comentário:

Fernando Afonso disse...

Fala pessoal do Sussa!

só um adendo aos remakes hollywoodianos:

Vai sair Desejo de Matar (aquele com Charles Bronson) agora com Sylvester Stallone no papel do detetive/justiceiro!!!

FUJAM PARA AS MONTANHAS!!!

kkkkkkkkkkkkkkkkk

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